O Escafandro e a Borboleta

O filme conta a história verídica de um homem que tem um derrame e desenvolve uma síndrome “locked in”, na qual só movimenta um olho, mas mantém o psiquismo intacto. Não tem como se comunicar.
O diretor faz uso da câmera subjetiva na maior parte do filme e permite que o espectador compartilhe da sensação do protagonista da visão limitada espacialmente pelo uso de apenas um olho e pela imobilidade de todo corpo.
Além disso, o espectador compartilha de seu mundo mental e angústias através da narração em off utilizada, com o som de seus pensamentos.
Cenas em flashback passam rapidamente, com câmeras tremidas, variações abruptas de iluminação, imagens e fotos de pessoas.
Através da câmera subjetiva, vemos as duas moças que o auxiliam no dia-a-dia, tentando estabelecer uma forma de comunicação e treinando músculos da fala e deglutição.
Ficamos a par dos pensamentos divertidos a respeito delas e da terceira mulher, que será enviada pela editora com a qual tem contrato, para ajudá-lo a redigir o livro, ”ditado” por ele.
O protagonista desenvolve um relacionamento com estas três mulheres, que se tornam o centro de sua vida neste momento.
A ex-esposa e um amigo também são presenças constantes neste seu novo mundo e também aprendem o seu processo de comunicação, que o liberta da prisão de um corpo inerte.
Cenas marcantes ficam por parte de seu encontro com os filhos e o telefonema com o pai, já um tempo depois do derrame.
Com o tempo, Jean desenvolve técnicas para lidar com sua situação atual e deve isso a sua memória e criatividade, segundo ele próprio relata.
Como uma ironia do destino, Jean morreu dez dias após publicar seu livro. Parece ter permanecido vivo só para realizar esta façanha. Será uma coincidência? Ele perdeu as forças pra viver após concluir o livro?
De qualquer forma, é algo que nos faz pensar.
O filme se diferencia de outros com temas semelhantes por não se apoiar no melodrama exagerado, embora a situação fosse de fato muito dramática. Talvez por isso mesmo, o exagero não ficaria bem, não há necessidade.
O filme fala mais talvez sobre a solidão dessa situação e sobre como Jean utiliza seus recursos psíquicos para sobreviver.
O título do filme vem de uma imagem muito bonita que o próprio Jean criou para entender sua situação. O Escafandro se refere à sensação física de estar preso dentro do próprio corpo e a Borboleta, à liberdade que ele passou a ter com seus recursos mentais.
Ao final, a reconstrução do paredão do iceberg, em contraposição ao seu desabamento no início do filme, indica que com a realização de seu livro, Jean voltou a sentir-se inteiro e talvez por isso tenha finalmente conseguido morrer. Escrever o livro fez com que ele se unificasse novamente.


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2 respostas para O Escafandro e a Borboleta

  1. Wal disse:

    Ei

    Esse filme e “O cheiro do ralo” sao brasileiros?

    Bjs

    Obrigada!

  2. euferbr disse:

    O cheiro do ralo é brasileiro, este aí é uma produçaõ da França e EUA do diretor Julian Schnabel

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